Um Empreendedor Social aos 21 anos de Idade

Conheça a trajetória de Ernesto Ferreira Vasconscellos e saiba como foi sua participação no Programa de Inovação Transdisciplinar da Universidade Hebraica de Jerusalém.

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Aos 21 anos de idade, Ernesto Ferreira Vasconscellos já é considerado um empreendedor social. Estudante de Engenharia Civil natural de Porto Alegre, representou o Brasil na ONU em 2015, participou do programa de empreendedorismo social Guerreiro Sem Armas, fundou uma ONG de projetos sociais e uma escola de empreendedorismo e já realizou trabalho voluntário em mais de 10 entidades em três países da América Latina.  Ernesto também foi selecionado entre 25 pessoas do mundo inteiro para participar do TIP, Programa de Inovação Transdisciplinar da Universidade Hebraica de Jerusalém, que reuniu desde astronautas da Nasa até os maiores empreendedores de Israel e do mundo.   Conheça a trajetória desse jovem que já está fazendo a diferença e saiba como foi sua experiência em Israel.

Você participou do programa de Inovação Transdisciplinar na Universidade Hebraica de Jerusalém. Conte-nos sobre essa experiência.

O TIP em Israel foi um momento de mudança na minha vida. Foi lá que criei e desenvolvi a Startup que hoje trabalho (utimespace.com). A experiência pode ser dividida em três partes: Israel, Educação e Empreendedorismo.

Israel foi extremamente interessante, viver numa cultura tão diferente da nossa, mas ainda viver numa cidade que em dez dias já era minha casa, o conforto e segurança sensacionais. A parte “educativa” do programa foi bastante intensa, 40h aula semanais, diversos artigos para escrever, projetos internos, viagens, empreendedores de excelência; fiquei surpreso com a densidade do programa. Já a Universidade é um paraíso, espaço leve, tranquilo, confortável – não só a infraestrutura, mas a cultura do ambiente.

Vale destacar que trabalhamos no Centro de Inovação da Universidade Hebraica. Empreendedorismo foi trabalhado na forma: “Vai Lá e Faz”; literalmente, nos liberaram e pediram entregas em cinco dias, sem conteúdo tradicional nem modelos; durante esse processo trabalhamos bastante trocas entre o grupo e – principalmente – mentorias com outros empreendedores locais.

Quais eram suas expectativas quanto a Israel e o que lhe surpreendeu?

Esperava um país altamente desenvolvido e de cultura bastante aberta e – principalmente – com um forte apelo turístico. Em Jerusalém de negativo, me impressionou o estilo de cidade antiga (não sei como me surpreendi com isso) e a falta de informações turísticas. A parte mais rica de Jerusalém está nas suas diferenças, temos uma das cidades mais inovadoras do mundo num lado da rua, e no outro, pessoas que abdicam de tecnologia por motivos culturais, um país no meio do deserto com belas cachoeiras, a tensão de uma guerra e a tranquilidade da segurança ao andar nas ruas. Já a cidade mais surpreendente que vi foi Ber’sheba; um sonho de todo empreendedor: uma parceria entre Academia, Governo e Empresas para desenvolver uma cidade inovadora e tecnológica. Impressionante, espero voltar.

E com relação a Universidade Hebraica de Jerusalém?

Infraestrutura excelente, mas o ambiente é incrível. Durante todos os dias na Universidade vimos grupos internacionais no Campus, tínhamos aulas com indicados a Prêmios Nobel, empreendedores vencedores de Mass Challenge (Desafio de Startups); de fato, não conheci ninguém que buscasse ser medíocre no que fazia.

Vale notar que o meu programa era de fato focado em profissionais de excelência em sua área e que não tive aulas “normais” de graduação da Universidade, então foi a UHJ que conheci pelo TIP.  Fora da Sala de Aula víamos alunos praticando Yoga, futebol e atletismo – até entrei para um grupo de corrida (Runners Without Borders) um grupo para Israelenses, Palestinos, Europeus, Latinos, para esquecermos as diferenças e treinar juntos. Por questão de duas semanas eu não competi pela Universidade.

O que os estudantes brasileiros têm a ganhar, ao estudar em Israel?

Pensar global, mentalidade empreendedora e uma rede incrível. De todos que conheci na Universidade, sempre o foco era uma pesquisa “para abrir um novo ramo” ou um projeto novo de escala. Temos muito a aprender sobre esse estilo de modelo. Israel é o país com maior densidade de startups do mundo; 1 a cada 1800 pessoas (fonte: Startup Nation), e esse número não é à toa; a cultura é focada em negócios em diversas gerações, vemos empreendedores de 60+ trabalhando ao lado de jovens de 20 anos, e essa troca é fantástica. Falando sobre rede, nós brasileiros temos muito a ensinar aos Israelenses; nós entendemos muito de colaboração, co-construção, comunicação, relações. E nós brasileiros, em uma rede com tal potencial, temos a capacidade de unir nossas habilidades e gerar muitos frutos.

O que você fará aqui no Brasil com o conhecimento adquirido na UHJ?

Hoje estou desenvolvendo a U:TIME, uma startup que visa desenvolver espaços de coworking em horários ociosos de espaços. Estamos trabalhando com dois modelos: Salão de Festa residencial (durante a semana) e Contraturno de restaurantes.  Nesse exato momento estamos fortalecendo parcerias em busca de Investimento Anjo; existe um forte interesse de investidores Israelenses no negócio, e por isso seguimos cultivando essa rede lá. Buscamos investimento para sair de Porto Alegre e ir para São Paulo, e então começar a operação.

Quais as novidades do mundo da tecnologia que vão impactar a economia a nível global?

Temos a Inteligência Artificial vindo com muita força; o WIX é um grande exemplo. BlockChain e Bitcoin são o futuro, não há mais dúvida, é uma questão de tempo.  Falando de Israel, temos que falar dos carros autônomos, e seguramente, logo mais estaremos usando carros como serviço e não mais como produto; esse novo modelo vai gerar um redesenho das cidades, tornando-as cada vez mais humanas.

Algo que gostaria de acrescentar?

Gostaria de agradecer à Sociedade Brasileira dos Amigos da UHJ que me ofereceu um grande suporte que permitiu a minha ida ao programa; sem esse apoio, nenhuma dessas experiências teria acontecido.

Veja a apresentação de Ernesto Ferreira de Vasconcellos em seu  TEDx em 2015. “Como eu abandonei minhas desculpas: das favelas à ONU:  https://www.youtube.com/watch?v=tp_qg1R3Twc .  Acompanhe seu   blog sobre inovação e empreendedorismo:  https://medium.com/@ernestofv01.

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